Alguma coisa está comendo suas plantas e você não consegue ver o quê. Comece pelo dano, não pelo inseto. A praga quase sempre já saiu quando você vai olhar, mas as marcas continuam lá, e pragas diferentes deixam marcas diferentes. Buraco não é só buraco. Folha mastigada, folha enrolada e folha rendilhada apontam para três culpados distintos.
Este guia trabalha ao contrário, partindo do que dá para ver. Toda identificação e todo manejo abaixo vêm de serviços de extensão universitária, e as fontes estão listadas no fim.
Nota sobre as fontes: os materiais consultados são de extensão universitária dos Estados Unidos e descrevem jardins de lá. Os trechos entre aspas são tradução livre nossa, não citação literal do original em inglês. A seção sobre geografia explica o que dessas informações se aplica fora dos Estados Unidos e o que não se aplica.
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Como ler o dano
Três perguntas reduzem muito a lista de suspeitos, antes de identificar qualquer coisa.
Que tipo de dano é? Insetos de aparelho bucal mastigador removem tecido e deixam buracos ou bordas faltando. Insetos sugadores bebem seiva e não deixam buraco nenhum, só descoloração, enrolamento e murcha. Só essa distinção já corta a lista quase pela metade.
Onde na planta? Brotos novos, face inferior das folhas e botões fechados atraem gente diferente das folhas maduras de fora. A extensão da Universidade de Minnesota registra que os pulgões se concentram onde podem se alimentar de crescimento novo e tenro, em botões florais fechados, na face de baixo das folhas jovens e em hastes em desenvolvimento. As lagartas do tomateiro fazem o contrário: começam a comer pelas folhas da parte de cima da planta.
O que mais ficou para trás? Excrementos, peles trocadas, posturas de ovos, rastros de baba e resíduo grudento costumam ser mais fáceis de achar que a própria praga, e vários deles já identificam sozinhos.
Olhe a face de baixo das folhas. Quase toda a evidência deste guia está no lado que você normalmente não olha.
Do dano à praga, num relance
Use para afunilar e depois leia a seção completa antes de agir.
| O que você vê | Causa provável | Confirme procurando |
|---|---|---|
| Folhas deformadas, enroladas, amarelando; brilho grudento | Pulgões | Aglomerados no broto novo, dois tubinhos na ponta do abdome, peles brancas |
| Folhas inteiras somem, talos nus, rápido | Lagarta do tomateiro | Excrementos verde-escuros ou pretos abaixo do dano |
| Tecido comido entre as nervuras, aspecto de renda | Besouro japonês | Besouros verde metálico e cobre, ativos de dia |
| Buracos irregulares em folhas, flores e frutos | Lesmas | Rastro de baba seca, dano pior na sombra e na umidade |
| Manchas amarelas que ficam marrons, depois murcha | Percevejo da abóbora | Posturas cor de bronze na face de baixo, em V entre as nervuras |

Folhas enroladas, deformadas e grudentas
Nenhum buraco em lugar nenhum, mas as folhas estão deformadas e alguma coisa está grudenta. Isso é sucção de seiva, e o pulgão é a causa mais comum num jardim doméstico.
Identificação. A extensão de Minnesota descreve os pulgões como insetos pequenos, de corpo mole e formato de pera, entre 2 e 4 mm, que variam do verde ao preto, vermelho, amarelo, marrom ou cinza. Cor não serve para identificar, então use a estrutura: segundo a mesma fonte, a melhor forma de reconhecer um pulgão é procurar os dois tubinhos na ponta do abdome, chamados cornículos. Todos os pulgões têm cornículos, embora em algumas espécies sejam menores e menos evidentes.
Outra pista permanece depois que os pulgões saem. Eles trocam de pele conforme crescem, e essas peles brancas ficam nas folhas ou grudadas na secreção açucarada.
O dano. Minnesota lista como sintomas de ataque intenso: folhas enroladas e retorcidas, folhagem amarelada, brotos atrofiados ou mortos e crescimento fraco. O resíduo grudento tem nome. Depois de se alimentarem, os pulgões secretam um material açucarado e brilhante chamado honeydew, que atrai formigas, vespas e outros insetos que se alimentam dele.
O que fazer, e o que não fazer. É aqui que mais se erra. Minnesota afirma que na maioria dos casos os pulgões causam pouco ou nenhum dano à saúde da planta, e que tratar pulgão pensando na saúde da planta costuma ser desnecessário.
Comece monitorando, porque a população de pulgão pode explodir. Tire o mato, porque algumas plantas daninhas podem hospedar grandes populações. Depois deixe o jardim trabalhar: inimigos naturais como joaninhas, crisopídeos, larvas de moscas sirfídeas e vespas parasitoides reduzem o número de pulgões, embora, como eles se multiplicam muito rápido, os predadores levem um tempo para alcançar a população.
A extensão da Clemson acrescenta dois métodos físicos e um alerta que vale repetir: pulgões podem ser removidos com jato forte de água, aplicado com regularidade, e quando a população está baixa o sabão inseticida funciona, pulverizando as duas faces da folha. O alerta: inseticidas também matam os inimigos naturais do pulgão, o que muitas vezes agrava o problema.
Folhas comidas até o talo
Ontem a planta tinha folhas. Hoje tem talos nus, e o estrago está concentrado na parte de cima. Em tomateiro, quase sempre é a lagarta conhecida em inglês como tomato hornworm (Manduca quinquemaculata).
Identificação. Segundo Minnesota, está entre as maiores lagartas e pode chegar a cerca de 10 cm de comprimento. O tamanho já entrega, depois que você acha. As lagartas grandes desenvolvem oito marcas brancas em forma de V de cada lado, e têm uma projeção escura parecida com um chifre no último segmento do abdome. As pequenas são diferentes: amarelas a esbranquiçadas, sem marcação.
Por que você não acha. A fonte é direta: a lagarta se confunde com as folhas e pode não ser notada até o estrago já estar quase todo feito. Então procure os excrementos. Conforme se alimentam, produzem excrementos verde-escuros ou pretos, bem visíveis. Ache os excrementos na folha ou no chão e revise os ramos logo acima daquele ponto.
O dano acelera. Números altos de lagartas podem desfolhar plantas rapidamente. E o ritmo não é linear: o último estágio da lagarta consome quase tanto quanto todos os estágios anteriores somados. Pegar cedo faz diferença.
Controle, com uma exceção importante. Remoção física costuma ser o único manejo necessário, e a fonte considera que inseticida em geral não é preciso.
A exceção vale aprender a reconhecer. Essas lagartas são parasitadas por uma vespa braconídea pequena, e Minnesota descreve como isso aparece: os casulos parecem grãos de arroz branco saindo do corpo da lagarta. Se você vir isso, a orientação da fonte é deixar a lagarta no jardim para as vespas adultas emergirem. Essas vespas matam a lagarta ao emergir e depois procuram outras para parasitar.
Uma lagarta coberta do que parecem grãos de arroz já está perdendo. Removê-la elimina a próxima geração de vespas que caçaria as outras.
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Folhas que viraram renda
As nervuras continuam inteiras, mas o tecido entre elas sumiu, deixando um esqueleto rendilhado. Esse padrão é específico.
Identificação. Minnesota descreve o adulto do besouro japonês (Popillia japonica) com cerca de 1 cm de comprimento, cabeça e tórax verde metálico e élitros marrom-acobreados. O detalhe que o separa de besouros parecidos: cinco tufos de pelos brancos em cada lateral do abdome e mais dois tufos na ponta.
O dano. A fonte registra que eles esqueletizam as folhas comendo o tecido entre as nervuras principais, o que dá o aspecto de renda, e que as folhas danificadas ficam marrons e podem cair.
Controle. Catação manual funciona na escala de um jardim: derrubar os besouros num balde com água e sabão. O horário ajuda, porque, segundo a fonte, o melhor momento é de manhã cedo ou no fim da tarde, quando os besouros ainda estão frios e lentos.
Existe um efeito em cadeia que vale conhecer: folhas já danificadas liberam compostos voláteis que atraem mais besouros, então remover cedo reduz o que chega depois.
Não compre as armadilhas. Minnesota é categórica em desaconselhar armadilhas de besouro japonês em jardim doméstico, dizendo que não é forma eficaz de proteger as plantas e que elas podem atrair mais insetos para o seu quintal. A razão é medida, não teórica: pesquisa da Universidade de Kentucky demonstrou que mais besouros voam na direção das armadilhas do que são capturados, o que costuma resultar em mais dano nas plantas vizinhas do que se não houvesse armadilha nenhuma.
Também vale a proporção: na maioria dos casos o dano do besouro japonês é apenas estético e não mata a planta.
Buracos irregulares e rastro de baba
Buracos rasgados no meio da folha, pior nas mudas, pior no canto sombreado e úmido do jardim, e nenhum inseto à vista durante o dia.
Identificação. Minnesota descreve a lesma como um caracol sem concha: corpo mole e viscoso, sem pernas, geralmente amarronzada ou acinzentada, variando de menos de 1 cm a mais de 5 cm. O sinal decisivo não exige achar o bicho: as lesmas produzem baba para se locomover, e um rastro de baba seca indica que estão ativas no jardim.
O dano. Segundo a fonte, elas usam um aparelho bucal em forma de lima, chamado rádula, para raspar e triturar o tecido vegetal, e por causa disso abrem buracos de formato irregular em folhas, flores e frutos. A gravidade depende da idade da planta: ataque forte prejudica principalmente mudas, enquanto plantas mais velhas toleram melhor a desfolha.
Onde elas estão. São ativas à noite, quando está fresco e úmido, e condições quentes e secas são desfavoráveis a elas. Minnesota observa que, de forma geral, lesmas não incomodam plantas cultivadas a pleno sol, e que forrações que sombreiam e mantêm o solo frio e úmido criam habitat convidativo. Se o dano acompanha a sombra, isso é um sinal forte.
Controle. Dois métodos de armadilha estão documentados. Tábuas: espalhar tábuas, telhas ou jornal úmido, conferir embaixo na manhã seguinte e eliminar as lesmas escondidas, repetindo todas as noites até o dano cessar. Armadilha de cerveja: enterrar recipientes com a borda no nível do solo, encher com cerveja ou mistura de água e fermento, e conferir várias vezes por semana, limpando e reabastecendo.

Manchas amarelas e depois murcha
Em abóbora, moranga e pepino, manchas amarelas que ficam marrons seguidas de murcha sugerem o percevejo conhecido em inglês como squash bug (Anasa tristis).
Identificação. Minnesota descreve os adultos com cerca de 1,5 cm de comprimento, achatados, em geral cinza-escuro a marrom-escuro, com listras alternadas laranja e marrom no abdome. Os ovos são a evidência precoce mais confiável: ovalados, pequenos, de amarelado a cor de bronze.
Onde achar esses ovos é curiosamente específico e muito útil: as fêmeas põem pequenos grupos de cerca de 20 ovos na face de baixo das folhas, especialmente entre as nervuras, onde formam um V. Também aparecem nas hastes.
O dano. Segundo a fonte, eles sugam a seiva das folhas com aparelho bucal perfurador-sugador, e a alimentação provoca manchas amarelas que depois ficam marrons. Isso também afeta o fluxo de água e nutrientes e, quando intenso, causa murcha. A idade da planta decide o desfecho: plantas maiores e mais firmes toleram melhor, enquanto plantas jovens podem morrer.
Controle. Esmagar os ovos presos na face de baixo das folhas e nas hastes. Para ninfas e adultos, derrubá-los num balde com água e sabão, o que a fonte considera prático apenas quando poucas plantas estão afetadas. A mesma fonte é honesta sobre a dificuldade: remover é trabalhoso porque eles se escondem embaixo das folhas e se movem rápido quando incomodados. O truque da tábua funciona aqui também: deixar tábuas ou jornal no chão, porque eles se agrupam embaixo à noite e podem ser recolhidos de manhã.
Onde você planta muda a resposta
Isso importa mais do que a maioria dos guias de praga admite, então ganha seção própria.
Todas as fontes citadas aqui são serviços de extensão universitária dos Estados Unidos, e a lista de pragas reflete jardins de lá. Uma destas cinco é explicitamente regional. O besouro japonês é espécie invasora na América do Norte: Minnesota registra que foi encontrado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1916, após introdução acidental em Nova Jersey, e que hoje ocorre por todo o leste do país, exceto na Flórida. Mesmo dentro de Minnesota, aparece em muitos condados mas só é abundante em alguns.
Ou seja: se você não cultiva nessa faixa, a seção do besouro pode simplesmente não se aplicar a você, e um besouro nas suas roseiras é outra coisa.
O que atravessa regiões é o método, não a lista de espécies. Dano de mastigação contra dano de sucção, revisar a face de baixo da folha, ler excrementos e posturas, considerar a idade da planta: isso vale em qualquer lugar. Qual inseto está por trás de uma marca depende de onde você mora.
Para resposta local, fonte local vale mais que fonte geral. No Brasil, a orientação confiável vem da assistência técnica e extensão rural do seu estado, de institutos estaduais de pesquisa agropecuária e da Embrapa, que publicam material por cultura e por região. As espécies presentes no seu quintal, o calendário em que aparecem e o manejo recomendado podem ser diferentes dos daqui.
Cinco formas de ler mal a evidência
Tratar dano que já parou. Dano de mastigação continua visível pelo resto da vida da folha. Um buraco é registro do que aconteceu, não prova de que ainda está acontecendo. Procure excrementos frescos, insetos vivos ou dano novo no crescimento novo antes de agir.
Pulverizar por reflexo. Minnesota diz claramente que tratar pulgão costuma ser desnecessário, que inseticida para a lagarta em geral não é preciso, e que o dano do besouro japonês na maioria dos casos é apenas estético. Pulverização ampla ainda remove os predadores que trabalhavam de graça.
Remover uma lagarta parasitada. Os grãos de arroz brancos são casulos de vespa braconídea. A orientação da fonte é deixar a lagarta no jardim para as vespas adultas emergirem.
Pendurar armadilha de besouro japonês. O achado de pesquisa é que a armadilha atrai mais besouros do que captura, gerando mais dano por perto do que se não existisse.
Culpar inseto por problema de cultivo. Amarelamento, murcha e crescimento fraco também vêm de rega, drenagem, dano de raiz e doença. Sugadores deixam insetos ou ovos para trás. Se revisar a face de baixo das folhas várias vezes e não achar nada, olhe as condições de cultivo.
Perguntas frequentes
Como diferencio dano de inseto de doença?
Insetos mastigadores removem tecido, deixando buracos e bordas faltando. Sugadores não deixam buraco, só enrolamento, manchas e murcha, mas deixam os insetos ou os ovos. Dano sem nenhum inseto depois de várias conferidas, principalmente manchas que se espalham ou revestimentos, aponta mais para doença ou problema de cultivo.
O que está comendo minhas folhas durante a noite?
Se os buracos são irregulares e há rastro de baba seca, provavelmente lesma, ativa à noite na sombra úmida. Se o tecido sumiu entre as nervuras em padrão de renda, isso é alimentação de besouro durante o dia, não praga noturna.
Por que minhas folhas estão grudentas?
Isso é honeydew, a secreção açucarada de insetos sugadores como o pulgão. A extensão de Minnesota descreve como resíduo pegajoso e brilhante que também atrai formigas e vespas.
Devo usar armadilha de besouro japonês?
Não. A extensão de Minnesota desaconselha, citando pesquisa da Universidade de Kentucky que mostra que mais besouros voam até a armadilha do que são capturados, o que costuma causar mais dano por perto do que não usar nada.
Minha lagarta está coberta de casulos brancos. O que é?
São casulos de vespa braconídea numa lagarta parasitada. Deixe onde está para as vespas emergirem e parasitarem outras.
Essas pragas valem para o Brasil?
Não necessariamente. Estas fontes descrevem jardins dos Estados Unidos, e o besouro japonês em particular é invasor regional de lá. O método de leitura do dano vale em qualquer lugar, mas confira as espécies do seu quintal com a extensão rural do seu estado ou com a Embrapa.
Quando eu devo de fato pulverizar alguma coisa?
Só depois de identificar, e só quando o dano ameaça a planta e não apenas a aparência. As fontes de extensão citadas aqui começam por monitoramento e remoção física, e tratam inseticida como último recurso.
Referências
- University of Minnesota Extension, Aphids in home yards and gardens. Identificação, cornículos, honeydew, sintomas e manejo não químico.
- University of Minnesota Extension, Tomato hornworms in home gardens. Tamanho e marcas, excrementos, desfolha, parasitismo por vespa braconídea.
- University of Minnesota Extension, Japanese beetles in yards and gardens. Identificação do adulto, dano de esqueletização, catação manual, pesquisa sobre armadilhas e distribuição regional.
- University of Minnesota Extension, Slugs in home gardens. Identificação, rastro de baba, buracos irregulares, armadilhas de tábua e de cerveja.
- University of Minnesota Extension, Squash bugs. Identificação de adulto e ovos, postura em V, murcha e controles físicos.
- Clemson Cooperative Extension, Flowering Bulb Insect Pests. Jato de água, sabão inseticida e efeito de inseticidas sobre inimigos naturais.
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