Desenhar o corpo humano não é difícil. Difícil é acertar a proporção, e proporção é conta, não talento. Este guia usa uma única unidade de medida, a cabeça, para montar uma figura em pé em oito passos: sete cabeças e meia de altura, quadril na metade exata e uma linha de equilíbrio que impede o desenho de parecer que está caindo.

Este é o guia de figura humana da nossa série de desenho. Se quiser algo menor para aquecer, o hub de ideias fáceis de desenho tem assuntos curtos, e como desenhar um cachorro usa a mesma lógica de construir a partir de formas, só que em quatro patas.

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Por que suas figuras saem erradas (comece pela proporção)

Você desenha uma pessoa de memória e alguma coisa fica esquisita, mas você não consegue nomear o quê. Normalmente a cabeça está grande demais. As pernas começam alto demais. Os braços param na cintura. Nenhum desses é erro de traço; são erros de medida, e medida se corrige com método.

A parte útil é esta: seu olho já sabe como é uma pessoa. Ele viu milhões delas. O que falta para a mão é um jeito de se conferir enquanto desenha. É isso que um sistema de proporção entrega. Você para de perguntar "está parecendo certo?" e passa a perguntar "essa marca está onde a contagem manda?". A primeira pergunta é gosto e humor. A segunda tem resposta.

Tudo abaixo é feito com lápis leve. Pressione o suficiente para enxergar, leve o bastante para apagar sem deixar fantasma. As linhas de construção são andaime e saem no final.

A cabeça é a sua régua

Este guia usa a cabeça como unidade simples de desenho, e o motivo de usá-la é que ela escala. Uma figura pequena e uma figura que ocupa a folha inteira usam a mesma contagem, então você nunca precisa de régua de verdade e seus desenhos ficam consistentes de um esboço para o outro.

A convenção usada aqui:

Tipo de figuraAltura total em cabeçasLê-se como
Adulto realista7,5uma pessoa comum
Figura heroica ou de moda8 a 8,5mais alta, mais idealizada
Criança por volta dos seis anoscerca de 6cabeça maior, pernas curtas
Criança pequenacerca de 4cabeça muito grande
Cartoon estilizado2 a 4fofo de propósito

Essas são convenções de desenho, não medidas médicas, e pessoas reais variam em todas as direções. Trate 7,5 como um padrão que produz uma figura crível, não como regra sobre corpos humanos. No momento em que você entende a contagem, quebrá-la de propósito vira escolha de estilo em vez de acidente.

Passo 1: a linha vertical e oito marcas

Trace uma linha vertical leve na folha. Ela é a altura total da figura, então deixe margem em cima e embaixo.

Agora divida. Não use régua: parta ao meio no olho, depois parta cada metade, depois de novo. Três rodadas de divisão ao meio dão oito segmentos iguais. Use a conferência da metade em vez de estimar cada oitavo no olho. Numere as marcas de 0 no topo até 8 embaixo.

Sua figura terá sete segmentos e meio, então os pés caem na marca logo acima da última. Aquele meio segmento sobrando embaixo é respiro proposital.

Uma linha vertical leve a lápis dividida em oito segmentos iguais com pequenas marcas, com uma forma simples de cabeça desenhada no primeiro segmento como referência de escala

Passo 2: cabeça, caixa torácica, pelve

Três massas sustentam a figura inteira. Todo o resto pendura nelas.

A cabeça ocupa do 0 ao 1. Desenhe como um ovo, com a ponta estreita para baixo. Não um círculo: círculo dá cara de bebê em corpo de adulto.

A caixa torácica vai de mais ou menos 1,5 até 3. Desenhe como um oval, mais largo que a cabeça e levemente inclinado para a frente. A borda de cima é mais ou menos onde ficam as clavículas, um pouco abaixo do queixo.

A pelve fica entre 3,5 e 4,5. Desenhe como uma forma menor, tipo uma caixa achatada ou um triângulo de ponta para baixo com os cantos arredondados.

O vão entre caixa torácica e pelve é a cintura, e ele é um vão de propósito. Iniciante desenha o tronco como um bloco só, e por isso a figura não consegue dobrar. Duas massas com um espaço flexível entre elas torcem, inclinam e relaxam.

Repare onde cai a marca 4: bem na altura da articulação do quadril, e esse é o meio vertical do corpo. Não a cintura. O erro de proporção para corrigir primeiro é colocar o meio na cintura, o que encurta as pernas e alonga o tronco.

Passo 3: a linha de equilíbrio

Este passo leva dez segundos e é a diferença entre uma figura que fica em pé e uma que parece estar tombando.

Ache a covinha do pescoço, aquele vão pequeno entre as clavículas. Desça uma vertical reta a partir dela, direto pela folha, ignorando completamente a pose.

Para uma figura em pé com peso nos dois pés, essa linha cai entre os pés. Para uma figura apoiada em uma perna só, ela precisa cair em cima ou muito perto do pé de apoio. Essa é a regra. Se a linha cai no ar, passando dos pés, a figura está caindo, e nenhum acabamento bonito conserta isso.

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Passo 4: ombros e quadril como duas barras que inclinam

Trace uma barra curta atravessando o topo da caixa torácica para os ombros, e outra atravessando a pelve para o quadril. Ombros de adulto medem mais ou menos duas larguras de cabeça; o quadril costuma ser um pouco mais estreito numa figura masculina e igual ou mais largo numa figura feminina.

É aqui que um desenho duro vira um desenho natural. Se a figura está apoiada em uma perna, incline as duas barras em direções opostas. O quadril do lado que sustenta o peso sobe, e o ombro desse mesmo lado desce. Duas inclinações opostas, e a coluna faz uma curva suave entre elas.

Use essa oposição para a pose parecer mais relaxada. Deixe as barras paralelas e você tem uma figura em posição de sentido, que é uma escolha válida mas raramente a que você queria.

Passo 5: pernas, com o joelho no meio do caminho

As pernas vão da barra do quadril na marca 4 até os pés, logo acima da marca 8. Duas referências deixam tudo crível:

  • O joelho fica na metade entre quadril e calcanhar, o que o coloca perto da marca 6.
  • A coxa é um pouco mais longa que a canela, então empurre o joelho um fio abaixo do centro exato, nunca acima.

Desenhe cada perna como dois tubos que afinam, com um circulozinho no joelho. Coxas são mais grossas perto do quadril; as panturrilhas estufam do lado de fora da canela. Pés são mais compridos do que parecem de frente. Desenhado de frente, o pé vira uma cunha curta, mas assim que a figura gira um pouquinho, aquele pé chega perto de uma cabeça de comprimento. Pé curto é o motivo de uma figura parecer pregada no chão.

Uma figura simples a lápis construída com ovais e tubos, mostrando as referências marcadas no quadril, joelhos, cotovelos e pulsos sobre uma guia vertical segmentada

Passo 6: braços, e onde as mãos realmente chegam

Braço é a referência para conferir com mais cuidado, porque o feeling diz "mais ou menos até a cintura". São mais compridos que isso.

Duas referências resolvem:

  • O cotovelo cai mais ou menos na cintura, perto da marca 3, na base da caixa torácica.
  • O pulso cai mais ou menos na articulação do quadril, perto da marca 4, e as pontas dos dedos chegam no meio da coxa.

Fale essa última parte em voz alta: com os braços soltos, a ponta dos seus dedos chega no meio da coxa. Confira em você agora. Um desenho que para as mãos no quadril fica sutilmente atarracado.

Desenhe os braços como dois tubos que afinam com um círculo no cotovelo, igual às pernas. Para as mãos nesta etapa, uma forma de luva basta, um pouco menor que o rosto. Mão merece estudo próprio; não deixe ela atrapalhar este desenho.

Passo 7: feche o contorno

Você tem agora um andaime de ovais, barras e tubos com proporção certa e equilíbrio certo. Hora de desenhar a pessoa de verdade.

Pressione um pouco mais e faça um contorno contínuo em volta de toda a construção, suavizando as junções. Onde duas formas se encontram, não desenhe a emenda: passe direto. O contorno deve cruzar as linhas de construção o tempo todo em vez de copiá-las exatamente, porque um corpo real é uma superfície conectada, não um saco de peças.

Depois apague o andaime. Com leveza, e só depois que o contorno estiver firme.

Passo 8: o rosto, por último e pequeno

O rosto vem por último porque um rosto desenhado cedo deixa você protetor de um desenho cuja proporção ainda não está resolvida.

No ovo da cabeça, trace uma linha horizontal no meio. Os olhos ficam nessa linha, não acima dela. Essa é a segunda grande surpresa do desenho de figura: os olhos ficam na metade vertical da cabeça. Mantenha-os na linha do meio usada nesta construção; colocá-los mais acima aumenta a testa.

Daí em diante: a base do nariz fica mais ou menos na metade entre a linha dos olhos e o queixo, e a boca a um terço do caminho do nariz até o queixo. As orelhas vão da linha dos olhos até a base do nariz. Os olhos ficam separados por mais ou menos a largura de um olho.

Em tamanho pequeno, pare cedo. Uma figura da altura da sua mão precisa de dois pontos e um traço, não de cílios. Detalhe que a escala não sustenta vira ruído.

Seis erros que deixam a figura estranha

O que saiu erradoPor que aconteceA correção
Cabeça grande demaisDesenhar a cabeça primeiro, num tamanho confortável, e depois encaixar o corpo embaixoMarque a altura total antes e faça a cabeça caber em exatamente um segmento
Pernas curtas demaisColocar o meio do corpo na cinturaO meio é a articulação do quadril, marca 4
Braços curtos demaisParar as mãos no quadrilPontas dos dedos no meio da coxa; pulso no quadril
Figura parece que vai cairNão conferir o equilíbrioDesça a linha da covinha do pescoço; ela cai no pé de apoio
Pose dura, de robôBarras de ombro e quadril paralelasIncline as duas em direções opostas
Olhos altos, testa enormeSupor que os olhos ficam no alto da cabeçaOs olhos vão na linha do meio da cabeça

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Mude os números, mude a pessoa

A contagem é um botão, não uma jaula. Ajuste de propósito e saem pessoas diferentes do mesmo método:

  • Uma criança: caia para cerca de seis cabeças e mantenha a cabeça perto do tamanho adulto. Cabeça grande, membros curtos, meio mais alto. Para uma figura estilizada mais infantil neste guia, use a construção com menos cabeças.
  • Uma figura alta e elegante: vá para oito ou oito e meia cabeças e coloque o comprimento extra nas pernas, abaixo da marca do quadril, nunca no tronco.
  • Uma figura atarracada e forte: mantenha 7,5 mas alargue a caixa torácica e os ombros e encurte o pescoço.
  • Um cartoon: caia para três ou quatro cabeças, aumente muito a cabeça e simplifique mãos e pés em luvas e cunhas.

Mesmo andaime, quatro pessoas diferentes. Esse é o retorno de construir sobre uma contagem em vez de chutar.

Perguntas frequentes

Quantas cabeças de altura deve ter uma figura humana?

Sete cabeças e meia é a convenção padrão de desenho para um adulto realista, e é o padrão usado neste guia. De oito a oito e meia lê como uma figura mais alta e idealizada, e cerca de seis lê como criança. São convenções de desenho, não medidas de corpos reais, que variam bastante.

Onde fica o meio do corpo humano no desenho?

Na articulação do quadril, não na cintura. Numa figura de sete cabeças e meia isso cai na quarta marca. Colocar o meio na cintura é o erro para corrigir primeiro, porque deixa as pernas curtas demais.

Qual deve ser o comprimento dos braços?

Com os braços soltos, o cotovelo fica mais ou menos na altura da cintura, o pulso mais ou menos na altura do quadril, e as pontas dos dedos chegam ao meio da coxa.

Por que minhas pessoas desenhadas parecem que vão cair?

Porque falta a linha de equilíbrio. Desça uma vertical da covinha do pescoço direto pela folha. Para uma figura com o peso em uma perna, essa vertical tem que cair em cima ou muito perto do pé de apoio. Se cai fora dos pés, a pose está fisicamente desequilibrada.

Devo desenhar o rosto primeiro?

Não. Deixe por último. Um rosto desenhado cedo deixa você com pena de corrigir a proporção embaixo dele, e é a proporção que decide se a figura funciona. Monte o andaime, feche o contorno e só então faça o rosto.

Preciso estudar anatomia para desenhar pessoas?

Não para começar. Proporção e equilíbrio levam uma figura bem longe antes de o detalhe muscular importar. Anatomia passa a ser útil quando suas figuras já saem consistentemente bem medidas e você quer que pareçam sólidas, não apenas corretas.