O YouTube não paga um valor fixo por mil visualizações. Quanto um canal ganha depende de quanto os anunciantes pagam para alcançar aquele público, de quantas visualizações realmente exibem anúncio, de qual fatia desse dinheiro fica com o criador no Programa de Parcerias do YouTube e de quanto vem de fontes que não têm nada a ver com anúncio. Este guia explica as duas métricas que mais se confundem, CPM e RPM, como vídeos longos e Shorts são pagos de formas diferentes, as outras fontes de receita dentro do programa, as regras de elegibilidade que mudam em 1º de fevereiro de 2027 e por que as mesmas visualizações rendem valores diferentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Espanha e no México. Todas as regras e percentuais abaixo vêm das páginas do próprio YouTube, do Google ou do IRS, e todo valor de ganho aparece identificado como conta nossa ou exemplo, não como promessa.

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Quanto o YouTube paga por mil visualizações: resposta curta

Quem pesquisa essa pergunta encontra números ditos com muita certeza: alguns dólares por mil visualizações, às vezes mais para canais de finanças ou tecnologia. Esses valores são estimativas feitas por terceiros. As páginas de ajuda do YouTube não publicam uma média de pagamento por mil visualizações por país ou por nicho, e explicam por que um número único não tem como existir.

Três coisas decidem quanto uma visualização vale para o criador:

  • Quanto o anunciante paga. Anunciantes disputam públicos, dispositivos, interesses e países específicos, e pagam mais em algumas épocas do ano do que em outras.
  • Quantas visualizações exibem anúncio. Nem toda visualização mostra anúncio. Parte do público assina o YouTube Premium, alguns vídeos não são adequados para anunciantes e às vezes simplesmente não há anúncio para exibir.
  • A parte do criador. No Programa de Parcerias do YouTube, o criador fica com um percentual definido da receita de anúncios, e esse percentual muda entre vídeos longos, Shorts e recursos de apoio dos fãs.

Se você chegou aqui querendo receber para assistir vídeos, e não para produzir, a pergunta é outra e as respostas também. Nosso ranking dos melhores apps que pagam para assistir vídeos cobre esse lado.

CPM e RPM: as duas métricas que todo mundo confunde

O YouTube Analytics mostra as duas métricas, e confundir uma com a outra é o principal motivo de as estimativas da internet saírem tão altas.

CPMRPM
O que medeQuanto o anunciante paga a cada mil impressões de anúncioQuanto o criador ganha a cada mil visualizações
Antes ou depois da parte do YouTubeAntesDepois
Quais visualizações entramSó as que exibiram anúncioTodas, inclusive as sem anúncio
Quais receitas entramAnúncios e YouTube PremiumAnúncios, Premium, assinaturas de membros, Super Chat e Super Stickers
Criadora em uma mesa em casa sorrindo enquanto confere os gráficos de análise dos vídeos no notebook
O RPM, e não o CPM, é a métrica do YouTube Analytics que mostra o que fica com o criador.

O YouTube deixa o aviso claro: a sua receita não é igual ao CPM multiplicado pelas visualizações, porque o CPM mostra o que o anunciante paga, não o que você ganha. O RPM é o número que responde "quanto eu ganho a cada mil visualizações", e quase sempre fica abaixo do CPM. Depois de saber o seu RPM, a nossa calculadora de ganhos do YouTube grátis transforma esse número numa estimativa por dia, mês e ano.

A própria página de ajuda do YouTube traz um exemplo. Um vídeo tem 5.000 visualizações. Dessas, 1.000 exibem um anúncio e 500 exibem dois, então são 2.000 impressões de anúncio em 1.500 reproduções monetizadas. Se os anunciantes pagaram US$ 7 no total, o CPM é de US$ 3,50 e o CPM baseado em reproduções é de US$ 4,67. Nenhum dos dois é o que chega ao criador.

Como a receita de anúncios dos vídeos longos é dividida

Nos vídeos comuns, a divisão é definida pelo Módulo de monetização da página de exibição, um dos contratos que o criador aceita ao entrar no Programa de Parcerias. Por ele, o YouTube paga ao criador 55% da receita líquida dos anúncios exibidos nos seus vídeos públicos. A mesma taxa vale quando esses vídeos rodam no player do YouTube incorporado em outros sites ou apps.

Agora aplique essa fatia ao exemplo de CPM do YouTube. O YouTube usa os US$ 7 só para explicar o CPM, então a conta a seguir é nossa: tratando os US$ 7 inteiros como receita líquida, 55% dá US$ 3,85. Divididos por todas as 5.000 visualizações, isso fica em cerca de US$ 0,77 por mil visualizações vindos de anúncios, contra um CPM de US$ 3,50. A diferença vem de dois fatos simples: o criador fica com 55%, e 3.500 das 5.000 visualizações não exibiram anúncio nenhum.

É por isso que um canal com CPM alto pode ter RPM modesto, e por isso o RPM pode cair num mês em que as visualizações crescem. O YouTube avisa que o RPM pode diminuir quando aumentam as visualizações não monetizadas, mesmo que a receita continue igual.

Alguns ajustes ajudam o RPM. As sugestões do próprio YouTube são ativar a monetização em todos os vídeos elegíveis, ligar os anúncios no meio do vídeo (mid-roll) e ativar recursos alternativos, como assinaturas de membros e Super Chat, para a receita não depender só de anúncio.

Como os Shorts pagam: o fundo de criadores e os 45%

Os Shorts não são pagos por anúncio em cada vídeo, porque os anúncios aparecem entre um Short e outro no feed, e não dentro de um Short específico. Em vez disso, o YouTube junta o dinheiro todo mês:

  1. A receita dos anúncios exibidos entre Shorts é somada por país.
  2. Uma parte cobre o licenciamento das músicas usadas nos Shorts. O que sobra forma o fundo de criadores (Creator Pool).
  3. Cada criador monetizado recebe uma fatia do fundo proporcional à sua participação nas visualizações engajadas de Shorts naquele país.
  4. O criador fica com 45% dessa fatia, use ou não música nos seus Shorts.

O YouTube ilustra com um país hipotético em que os anúncios entre Shorts rendem US$ 100.000 num mês, em 100 milhões de visualizações engajadas. Descontada a música, o fundo de criadores fica em US$ 90.000. Um criador com 1 milhão de visualizações engajadas recebe 1% do fundo, US$ 900, e fica com 45% disso: US$ 405. Dividindo esses US$ 405 por mil, chega-se a cerca de US$ 0,41 por mil visualizações engajadas (divisão nossa do exemplo do YouTube). A mecânica ajuda a entender por que muitos criadores veem RPM menor nos Shorts do que nos vídeos longos: o dinheiro é dividido por um volume enorme de visualizações antes de o percentual do criador ser aplicado.

Os ganhos com Shorts mudam em 2027. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o criador precisará manter 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias para receber do fundo de criadores e da receita do Premium nos Shorts a cada mês. Ficar abaixo dessa marca não tira ninguém do Programa de Parcerias e não afeta os ganhos com vídeos longos. O YouTube também vai criar anúncios segmentados em Shorts: quando um anunciante direciona o anúncio para cinco canais ou menos, os criadores elegíveis recebem 45% diretos dessas exibições, além do que ganham no fundo.

Jovem criadora rindo enquanto grava um vídeo vertical no celular preso a um tripé pequeno na sala de casa
Os Shorts ganham de um fundo mensal compartilhado, e não dos anúncios de cada vídeo.

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Dinheiro que não depende do preço do anúncio

O RPM inclui mais do que anúncios, e o Programa de Parcerias paga por várias coisas que não têm relação com o CPM. Estas são as principais e a parte que o YouTube informa para cada uma:

FonteComo funcionaParte do criador
Assinaturas de membros do canalO público paga por mês por benefícios como selos e emojis exclusivos70% da receita líquida
Super Chat e Super StickersO público paga para destacar uma mensagem ou figurinha no chat ao vivo70% da receita líquida
Super ThanksO público compra uma animação num vídeo ou Short para agradecer70% da receita líquida
YouTube PremiumAssinantes assistem sem anúncios, e parte da receita das assinaturas é dividida com os criadoresFatia de um fundo; veja abaixo
YouTube ShoppingO criador marca produtos da própria loja ou, onde disponível, de outras marcasDepende do produto e do programa

A taxa de 70% para assinaturas de membros, Super Chat, Super Stickers e Super Thanks vem do Módulo de produtos comerciais. Como os fãs pagam direto, essas receitas sentem muito menos as oscilações do mercado publicitário. Um canal com poucas visualizações e um público fiel pode ganhar mais aqui do que com anúncios.

O Premium também está mudando. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o YouTube vai levar o Premium Lite para todos os países onde o Premium existe. Os criadores passam a dividir um fundo de 60% da receita líquida das assinaturas do Premium Lite e um fundo de 30% da receita líquida das assinaturas nas visualizações do Premium. Segundo o YouTube, em média os criadores ganharam mais por usuário com o Premium do que com anúncios em 2026.

Como cada uma dessas fontes fica numa página diferente, muitos criadores juntam tudo num único link na bio. Nosso guia do VISU Link na bio mostra como organizar assinatura de membros, loja e links de patrocinadores num lugar só.

Requisitos de elegibilidade hoje e a partir de fevereiro de 2027

Nenhum desses ganhos fica disponível antes de o canal entrar no Programa de Parcerias do YouTube. São dois níveis, e o nível de anúncios fica mais difícil para criadores novos em 2027.

NívelAté 31 de janeiro de 2027A partir de 1º de fevereiro de 2027 (criadores novos)
Receita de anúncios e Premium1.000 inscritos e 4.000 horas de exibição qualificadas em 12 meses, ou 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias1.000 inscritos e 8.000 horas de exibição qualificadas em 365 dias, ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias
Apoio dos fãs e Shopping500 inscritos, 3 envios públicos em 90 dias e 3.000 horas de exibição em 12 meses ou 3 milhões de visualizações de Shorts em 90 diasSem mudança

Quem já está no programa mantém o status quando os novos requisitos começarem. O YouTube também avisa que as horas de exibição de Shorts no feed de Shorts não contam para o requisito de horas de exibição dos vídeos longos. O nível mais baixo vale nos países listados pelo YouTube para o Programa de Parcerias expandido, que incluem Brasil, Estados Unidos, Espanha e México.

Tem mais uma mudança de 2027 que importa para quem posta sem regularidade. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o YouTube considera o canal ativo se ele tiver 1.000 horas de exibição qualificadas nos últimos 365 dias, ou 1 milhão de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias, ou publicar 2 vídeos longos ou 5 Shorts a cada 90 dias. Para continuar monetizando por completo, o criador também precisa aceitar os termos atualizados no YouTube Studio até 31 de janeiro de 2027.

Por que as mesmas visualizações pagam diferente em cada país

Segundo o YouTube, cada localização tem um nível diferente de concorrência no mercado de anúncios, então o CPM varia conforme a geografia. Se o público de um canal se desloca para países onde os anunciantes pagam mais, ou menos, o CPM acompanha. O que conta é onde estão os espectadores, não onde o criador mora. Um criador brasileiro com público majoritariamente nos Estados Unidos está vendendo espaço publicitário do mercado americano.

A época do ano também pesa. O YouTube observa que muitos anunciantes pagam mais pouco antes das festas de fim de ano, então os últimos meses do ano costumam ser diferentes de janeiro.

Além do preço do anúncio, algumas regras mudam de um mercado para outro e alteram o que de fato cai na conta do criador:

Brasil

Canais brasileiros podem entrar no Programa de Parcerias expandido e, assim como os americanos, estão na lista de locais do programa de afiliados do YouTube Shopping, que permite marcar produtos de outras marcas. Uma diferença pesa para quem tem público nos Estados Unidos: todo criador do programa precisa enviar as informações fiscais dos EUA e, quando elas são válidas, o Google retém imposto só sobre os ganhos vindos de espectadores dos Estados Unidos, com alíquota entre 0% e 30% conforme o país do criador tenha ou não tratado de imposto de renda com os EUA. O Brasil não aparece na lista de tratados de imposto de renda do IRS, a Receita Federal americana. Na tabela pública de limites de pagamento do AdSense o real não aparece; contas que reportam em dólar americano recebem quando o saldo chega a US$ 100.

Estados Unidos

Criadores americanos que enviaram informações fiscais válidas ao Google não têm imposto retido sobre os ganhos do YouTube. O programa de afiliados do Shopping também está disponível para canais baseados nos EUA.

Espanha

Canais espanhóis podem entrar no programa expandido, e a Espanha aparece na lista de tratados do IRS, o que pode reduzir a retenção sobre os ganhos com público americano quando o criador solicita o benefício. Contas do AdSense que reportam em euro recebem quando os ganhos chegam a € 70. A Espanha não está na lista atual de locais do programa de afiliados do Shopping.

México

Canais mexicanos também podem entrar no programa expandido, e o México está na lista de tratados do IRS. Contas que reportam em peso mexicano recebem quando os ganhos chegam a Mex$ 1.200. Como a Espanha, o México não está na lista atual de afiliados, então criadores mexicanos não podem usar o programa de afiliados para marcar produtos de outras marcas.

Em qualquer mercado, se o criador não envia as informações fiscais, o Google pode reter até 24% dos ganhos totais no mundo inteiro em contas individuais, e não só da parte americana. Enviar o formulário cedo é um dos jeitos mais fáceis de proteger os pagamentos.

Como estimar quanto o seu canal ganha

Muitas calculadoras de ganhos do YouTube que circulam na internet multiplicam as visualizações por um RPM ou CPM presumido por elas. A conta está certa, mas esse número de entrada é um palpite. O seu RPM, que aparece no YouTube Studio em Estatísticas e depois Receita quando o canal já é monetizado, já reflete os países do seu público, a parcela de visualizações monetizadas e todas as fontes de receita que o YouTube considera.

A fórmula é simples: visualizações ÷ 1.000 × seu RPM. A tabela abaixo usa três RPMs inventados para mostrar o quanto o resultado muda. São ilustrações, não médias e não ganhos prometidos a ninguém. Para rodar a mesma fórmula com os números do seu canal, a calculadora de ganhos do YouTube da VISU não tem RPM embutido: você digita as visualizações e um RPM mínimo e um máximo, e ela devolve uma faixa em dólares. É uma estimativa, não uma previsão de pagamento; o valor que você recebe de fato é fechado no AdSense para YouTube.

Visualizações por mêsRPM de exemplo US$ 0,50RPM de exemplo US$ 2RPM de exemplo US$ 5
10.000US$ 5US$ 20US$ 50
100.000US$ 50US$ 200US$ 500
1.000.000US$ 500US$ 2.000US$ 5.000

Dois hábitos deixam a estimativa mais útil. Primeiro, calcule Shorts e vídeos longos separadamente (a calculadora tem uma opção para cada formato), porque eles seguem regras de pagamento diferentes e costumam ter RPMs bem distintos. Segundo, compare o RPM de vários meses antes de fazer planos com ele, já que a época do ano, a geografia do público e a parcela de espectadores com Premium mexem nesse número.

Lembre também do que o RPM deixa de fora. O YouTube lista a venda de produtos, os publis e patrocínios fora do programa YouTube Creator Partnerships e a renda gerada de forma indireta, como serviços ou consultoria, como receitas que o RPM não inclui. Para alguns criadores, essas fontes acabam maiores que o depósito do AdSense.

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Perguntas frequentes

Quanto o YouTube paga por mil visualizações?

Não existe valor fixo. O criador ganha o seu RPM, a receita que fica com ele a cada mil visualizações depois da parte do YouTube, e esse número varia com o país do público, a época do ano, a cobertura de anúncios e o tipo de conteúdo. Aplicando a fatia de 55% à ilustração de CPM do YouTube (conta nossa, tratando os US$ 7 inteiros como receita líquida), dá cerca de US$ 0,77 por mil visualizações, e o exemplo de Shorts do YouTube dá cerca de US$ 0,41 por mil visualizações engajadas. Os dois são hipotéticos, não médias.

O CPM é o que o criador recebe de verdade?

Não. O CPM é o que o anunciante paga a cada mil impressões de anúncio, antes da parte do YouTube, e só conta as visualizações que exibiram anúncio. O RPM é o que o criador ganha a cada mil visualizações depois da divisão da receita, então é o número certo para calcular renda.

Os Shorts pagam menos que os vídeos longos?

Muitas vezes, por visualização, sim, embora o YouTube não publique uma comparação. Os anúncios entre Shorts vão para um fundo mensal, dividido pela participação de cada criador nas visualizações engajadas, e o criador fica com 45% da sua fatia. Nos vídeos longos, o criador fica com 55% da receita líquida dos anúncios dos próprios vídeos.

As visualizações rendem dinheiro antes de entrar no Programa de Parcerias?

As visualizações contam para os requisitos de elegibilidade, como horas de exibição e visualizações qualificadas de Shorts, mas a receita de anúncios, as assinaturas de membros e os outros recursos são pagos pelo Programa de Parcerias do YouTube, então o canal começa a ganhar com eles depois de entrar.

Quando o YouTube paga?

Os ganhos são pagos pelo AdSense para YouTube quando o saldo chega ao limite de pagamento da moeda em que a conta reporta, como US$ 100, € 70 ou Mex$ 1.200, desde que não haja bloqueios na conta e ela cumpra as políticas do programa. A falta de informações fiscais pode gerar retenção de imposto.

Referências